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ARTIGO: O objetivo das organizações do terceiro setor deveria ser deixar de existir

Publicado em 1 de setembro de 2017

Por Aletéa Rufino*

Este deveria ser o desejo das organizações sociais do terceiro setor? Sim. Mas deixar de existir é impossível. Estamos muito longe de uma conjuntura social e política que nos permita atingir tal objetivo. Faço esta provocação inicial para explicar o que isto significa para a Fundação André e Lucia Maggi (FALM) ao longo de seus 20 anos de atuação.

A sociedade civil é dividida em três setores: o primeiro é Poder Público (Estado), o segundo são as empresas privadas e o terceiro é formado pelas iniciativas de interesse público.

O terceiro setor se constitui formalmente para atender ao desejo de mudança de um grupo de pessoas ligadas por causas em comum. Causas estas que o Estado não consegue suprir totalmente e que podem estar ligadas a educação, saúde, transporte público, segurança, igualdade de gênero, defesa dos animais, paz mundial, meio ambiente, entre outros.

Este setor é mantido tanto por iniciativas privadas quanto por parcerias com o governo no repasse de verbas públicas. Uma vez que iniciativas privadas são ligadas a uma causa e o governo tem interesse pela manutenção destas iniciativas, cria-se um papel de corresponsabilidade.

É preciso pontuar que o terceiro setor não pode ser substituto da função do Estado. Ele deve agir como um auxiliador na resolução de problemas, um parceiro na condução de soluções em escala menor, de forma democrática e eficiente. Soluções que possam ser reaplicadas em escala maior, pelo governo.

Em resumo, o terceiro setor deve contribuir para o empoderamento dos cidadãos, para aumentar sua possibilidade e capacidade de influenciar nas decisões públicas.

É neste aspecto que a FALM se esforça no desempenho de sua missão de contribuir com o desenvolvimento local e humano onde a AMAGGI atua. Trabalhar com as organizações existentes para que elas possam, além de ampliar sua atuação, medir e comunicar seus resultados de forma transparente, entendendo que possuem o papel importante de contribuir com políticas públicas, transformando efetivamente o desenvolvimento da sua localidade.

A participação contínua da sociedade civil organizada na gestão pública é um direito assegurado pela Constituição Federal.

Deixar de existir é trabalhar para contribuir com políticas públicas, fazendo com que o Governo assuma cada vez mais sua responsabilidade de realizar uma boa gestão dos recursos públicos e sendo participativo nos processos de decisões que são chamados a contribuir.

Aletéa Palomares Rufino é formada em Serviço Social e atua como gerente de Investimento Social da AMAGGI

 

Linha histórica da Fundação André e Lucia Maggi

1997
2001
2004
2007
2009
2010
2011
2012
2013
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